“- Doutor, o que eu faço com isso?” Como lidar com um diagnóstico difícil?

Receber um diagnóstico difícil é um dos momentos mais críticos  na vida de qualquer pessoa. É um turbilhão invisível de emoções.

Além do sofrimento emocional, existe um luto real que precisa ser vívido: o luto pela perda de uma rotina anterior, da imagem de si mesmo e de como o paciente era antes da doença. 

O impacto inicial de descobrir uma patologia complexa é frequentemente comparado a um estado de choque profundo. 

Nas primeiras horas ou semanas, é comum que a mente do paciente ative mecanismos automáticos de defesa psicológica, com destaque à negação. 

Sobrevém frases internas como: “isso não pode acontecer comigo” ou “o laboratório ou o médico devem estar enganados”, “o laboratório deve ter trocado os exames”, tornam-se questionamentos recorrentes. 

Trata-se de uma negação temporária que funciona como uma tentativa do paciente proteger-se contra uma realidade que, naquele instante, parece dolorosa demais para suportar. 

De forma que o paciente se vê obrigado a reconfigurar sua identidade, seus planos e suas expectativas de vida. 

Essa transição drena uma quantidade imensa de energia psíquica, deixando o indivíduo exausto, confuso e, muitas vezes, profundamente solitário, mesmo quando cercado por pessoas queridas.

Ao entrar neste turbilhão invisível, o paciente encontra muitas dificuldades, em razão do impacto inicial da descoberta.

Não é fácil descobrir uma patologia complexa, por isso, o paciente fica frequentemente num estado de choque profundo. 

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Nas primeiras horas ou semanas, é comum que a mente ative mecanismos automáticos de defesa psicológica, destacando-se a negação. 

Além do sofrimento emocional evidente, existe um processo de luto real que precisa ser vivido: o luto pela perda da rotina e pela imagem de alguém saudável. 

O paciente se vê forçado a reconfigurar sua identidade, seus planos de carreira, seus relacionamentos e suas expectativas gerais. 

Essa transição imprevista consome uma quantidade imensa de energia psíquica, deixando a pessoa exausta, confusa e solitária, mesmo quando está cercada por familiares dedicados.

Nesses momentos os piores inimigos para o indivíduo são o isolamento e a ilusão da autossuficiência.

Diante de tanta dor e vulnerabilidade, a tendência natural de muitas pessoas é o recolhimento defensivo. 

Existe um medo latente e paralisante de se transformar em um “fardo” pesado para a família e para os amigos. 

De maneira que o indivíduo silencia suas angústias mais profundas, esconde o choro e tenta manter uma fachada de força artificial, acreditando erroneamente que poupar os outros é a melhor saída disponível.

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É de vital importância pedir ajuda. Tanto os familiares quanto os profissionais, são as pessoas mais indicadas para o paciente nesse momento. 

Isso porque somente eles sabem reconhecer a necessidade de oferecer um suporte.

Sentir uma dor não é um sinal de fraqueza, na verdade, trata-se de uma demonstração de maturidade diante das limitações humanas. 

À medida que o paciente se abre para receber cuidados, ele divide a carga que antes era só dele. E como isso o prejudicava. 

O ideal é que a ajuda venha  de duas frentes integradas: a rede social afetiva e o suporte especializado.

A rede de apoio, que é formada por parentes, amigos próximos e grupos de acolhimento mútuo, oferece o sentimento de pertencimento. 

Saber que existem pessoas dispostas a ouvir o indivíduo, sem que, para tanto, seja preciso lançar mão de julgamentos moralistas é uma ajuda importantíssim.

Além disso, acompanhar o amigo, o irmão às consultas médicas ou simplesmente permanecer presentes em silêncio valida a dor do indivíduo. 

Por isso, sempre que possível, é preciso compartilhar a dor e o medo. Isso humaniza o paciente.

Agindo assim, o tratamento é mais tranquilo, mais fácil de “aguentar”.

Uma boa forma de organizar sentimentos e dúvidas acerca do diagnóstico, o paciente deve organizar as informações. Anotar todas as dúvidas, pensar em uma pergunta sobre o tratamento, querer saber sobre sintomas ou rotina, é muito eficaz. 

O indivíduo jamais pode tirar suas dúvidas por buscas na internet, bem como ler relatos ou partcipar de fóruns ou pesquisas genéricas em redes sociais. 

O importante é ser consciente de que cada corpo e cada diagnóstico se manifesta de forma única, por isso, ler estatísticas cruas, sem contexto médico, geralmente faz com que o paciente entre em pânico perigoso. E isso não é bom.

Por outro lado, considerar uma segunda opinião, buscar outro profissional não significa desconfiar do primeiro, mas sim, ter o direito de confirmar caminhos e se sentir mais seguro com a linha de tratamento escolhida.

(Dreamstime)

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