A liberdade de se sentir curado

A depressão é uma das condições de saúde mental mais comuns na atualidade, além de ser também uma das mais incompreendidas. 

Há uma ideia errônea na qual as pessoas presumem que depressão significa simplesmente sentir-se triste, contudo, a depressão é muito mais complexa do que apenas tristeza. 

A depressão pode afetar quase todos os aspectos da vida de uma pessoa, incluindo seus pensamentos, emoções, saúde física, relacionamentos, motivação, concentração e senso de identidade. 

Para muitos indivíduos, a depressão não se manifesta como uma tristeza avassaladora. Ao contrário, é sentida como um vazio, entorpecimento emocional, exaustão ou a sensação de que a vida perdeu a cor. 

Para o indivíduo se livrar da depressão é preciso de  uma mudança de vida, isso é possível.

A liberdade que todos nós queremos.

(Magnífico)

“Quando eu estava realmente deprimido, parei num determinado momento e me indaguei: e se não houvesse absolutamente nada que eu pudesse fazer para me livrar da depressão? 

A resposta foi:

Acho que não há nada que eu possa fazer. Viverei assim, como me sinto agora; solitário, vítima e infeliz.

Não é mesmo uma indagação, tampouco uma resposta muito otimista. Contudo, o choque com a realidade é muito importante.

Depois de se permitir um grande impacto com a realidade, é possível sim se sentir livre.

E foi isso que me aconteceu: a liberdade inundou a minha vida. 

De repente, senti-me livre, senti que todas as minhas energias estavam gastas na ilusão de que eu precisava mudar, de que precisava consertar essa depressão e, dessa forma, não estava conseguindo.

Independentemente do que eu faça, do trabalho, da igreja, do grupo de amigos, da escola, da família e, especialmente, da meditação que eu pratique.

Independentemente de tudo isso, eu parasse e falasse para mim mesmo que não importa o que eu faça, não importa a mudança que eu pratique na vida, eu teria de conviver eternamente com esses sentimentos, do jeito que eles são, ou seja uma profunda triteza, por toda a eternidade.

De repente, pensei: é assim? Está certo. Eu simplesmente paro agora de me importar com esses sentimentos.

O que foi que aconteceu de volta? uma enorme sensação de êxtase, a elevação de ser livre, de não se importar, coexistindo com os sentimentos depressivos que, certamente, não irão durar muito depois de ter jogado na minha cara uma verdade tão límpida, tão clara e tão transparente.

Passei algum tempo, é verdade, com sentimentos e sensações físicas e mentais depressivos.

Não se arranca algo tão forte de dentro de si  com facilidade.

Reparei que esse tipo de sentimento se enraíza, que é difícil encontrar a porta para ele sair.

Era ele ou eu. Quem venceria? Tive que participar desse jogo e vencê-lo. Jamais abandoná-lo.

Reconhecer o significado do verdedeiro sentimento que impõe a forma como eu me sentia.

E, no momento em que reconhece, encontra naturalmente o ponto de virada com coragem suficiente para parar de se importar com ecomo se sente.

Quem se importa com como você se sente? É seu sentimento, ninguém o reconhece, é uma agonia para a consciência, por isso deve mudar. 

Da mesma forma que surgiu, deve desaparecer e, assim, o meu eu consegue seguir o seu curso natural, sem jamais permitir que esse sentimento danoso leve minha vida. A vida é minha e não dele.

Não permito mais que ele tome conta da minha vida, que me deixe obcecado com o que sinto.

E dia após dia, lentamente, esse sentimento nocivo foi se desligando de mim, até chegar o momento que eu  não me importasse com ele e com a depressão que ele causa.

Há em todos nós, seres humanos, uma tendência obsessiva de nos fixarmos em sentimentos negativos e desastrosos.

O importante é saber se livrar, não permitir que ele invada o meu ser e que eu passe a ser dependente dele.

Não, nunca. É melhor deixá-lo trasnformar em vento que passa por nós e nos esquecemos dele.”

(Magnífico)

Há quem pense que as palavras “depressão” e “cura” não possam coexistir numa mesma frase. 

Há quem pense que não existe a cura e, sim, certo alívio.

Talvez a razão esteja no fato de que tantos pacientes passam uma vida inteira lidando com depressão, buscando desesperadamente por um alívio, ainda que breve, sem sucesso.  

E por acrécimo doloroso do destino, o mal vem acompanhado por abandono, luto, dor física crônica e implacável, perdas profundas que simplesmente agravam o quadro.

É verdade que se tratam de experiências que destroem a percepção da realidade, faz o ser atormentado tatear a realidade, buscando fortemente emergir para respirar.

São percalços difíceis que impedem o progresso, o equilíbrio emocional e psicológico. 

A vida é mesmo muito engraçada.

Contudo há de lutar, ter confiança e muita força de vontade. Não são alternativas muito  atraentes. 

A luta de uma pessoa que não lida com problemas emocionais já é difícil, imagina para quem precisar nadar contra uma correnteza, a fim de conseguir emergir pelo menos um pouco.

Se a depressão tem cura, especialtas da área de saúde fazem algumas recomendaçõesos, como:

  • Seguir o tratamento por no mínimo nove meses,
  • Ter experiência de bem-estar pelo menos por dois meses, para depois interromper o tratamento,
  • Permanecer em terapia por no mínimo dois anos antes de se considerarem curadas,
  • Manter a depressão sob controle depende da manutenção,
  • Indivíduos suscetíveis à depressão devem planejar o gerenciamento de seus gatilhos pelo resto da vida para evitar uma recaída,
  • Manter-se envolvido em atividades produtivas, 
  • Estar perto de amigos e familiares,
  • Conversar regularmente com o médico ou terapeuta.

Seguindo esses requisitos a depressão fica sob controle.

(Magnífico)

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