Como o corpo reage quando sentimos frio?
Podemos estar num país bem frio como o Canadá, Rússia, Finlândia, Islândia e tantos outros, como também aqui no Brasil.
Indiferente do lugar em que estivermos, certo é que, quando sentimos frio, o corpo aciona imediatamente um mecanismo de sobrevivência gerenciado pelo hipotálamo para preservar e gerar calor.
O hipotálamo é responsável por manter o equilíbrio interno do corpo (homeostase). Ele está numa pequena região localizada na base do cérebro e atua como o principal elo entre o sistema nervoso e o sistema endócrino, controlando funções vitais e reações automáticas do organismo.
Veja bem como o nosso corpo reage exatamente no frio:
Conservação de calor – preservação do calor/arrepios
São pequenos músculos que estão na base dos folículos pilosos que se contraem, fazendo com que os pelos do corpo se arrepiem.
Apesar de ser menos eficaz em humanos do que em mamíferos peludos, esse reflexo ancestral visa comprimir uma camada de ar isolante junto à pele.
Alterações da postura
Sabemos que o corpo naturalmente se encolhe, se contrai ou se curva para dentro, quando sentimos frio.
Esse comportamento ajuda a minimizar instintivamente qual parte do nosso corpo está exposta ao ar frio, causando a perda geral de calor.
Essa alteração tem uma razão de ser, pois ela cria um aumento acentuado na pressão arterial e na tensão cardiovascular geral, fazendo com que sentimos menos frio.

(Dreamstime)
O sangue fica mais espesso no inverno?
Isso mesmo, fica sim.
As temperaturas frias fazem com que o sangue se torne um pouco mais viscoso ou, podemos dizer, “mais espesso”.
Tal mudança ocorre, devido a uma combinação de fatores fisiológicos e comportamentais.
Como o principal mecanismo de defesa do corpo é a vasoconstrição que é o momento em que os vasos sanguíneos se contraem para evitar a perda de calor e manter os órgãos vitais aquecidos pelo frio.
Pode acontecer também uma súbita vontade de urinar.
Isso ocorre, à medida que a pressão arterial aumenta, devido à vasoconstrição, de forma que os rins recebem um sinal para filtrar o excesso de líquido e ajudar a equalizar a pressão.
Coriza
No inverno, as vias nasais aumentam rapidamente a produção de fluido para umedecer e aquecer o ar que fica seco e cortante nesta época, antes que ele chegue aos nossos pulmões.
Vasoconstrição periférica
Os vasos sanguíneos da pele, das mãos e dos pés se contraem.
Isso diminui a circulação de sangue na superfície do corpo para reduzir a perda de calor para o ambiente. Como resultado, as extremidades ficam visivelmente mais frias e pálidas.
A vasoconstrição periférica é o estreitamento dos vasos sanguíneos nas extremidades (braços e pernas).
Trata-se de uma resposta fisiológica normal ao frio ou ao estresse para manter a temperatura corporal central e proteger os órgãos vitais.
Termogênese por calafrio
É o momento em que a vasoconstrição não é suficiente, o sistema nervoso envia sinais para os músculos esqueléticos contraírem e relaxarem rapidamente.
Esse tremor involuntário gera calor através do gasto de energia, elevando a temperatura corporal.
A vasoconstrição é o processo em que os músculos lisos das paredes dos vasos sanguíneos se contraem, reduzindo o diâmetro do vaso e diminuindo o fluxo de sangue.
Trata-se de uma resposta fisiológica importante para a regulação térmica, controle de sangramentos e manutenção da pressão arterial.
Quais são os sintomas da sensação de inverno em nosso organismo?
Pele ressecada
Uma das primeiras sensações que sentimos de que o inverno está chegando, é pelo ar frio, que chega, bem devagarinho…
O ar frio do inverno retém menos umidade e os ventos fortes aceleram a evaporação da água da pele.
Além disso, há menor produção de sebo e suor no inverno, agravando o ressecamento, causando rachaduras e irritação.
Aumento da diurese
A contração dos vasos sanguíneos periféricos empurra mais sangue para o centro do corpo.
O organismo interpreta esse aumento de pressão interna como um excesso de fluidos, estimulando os enxágues a produzir mais urina.
Diurese
Cientificamente falando, no frio fazemos mais xixi, que é a diurese do frio.
Trata-se de uma resposta fisiológica natural do corpo humano ao clima frio.
Fome e desejo por calorias

(iStock)
Ah aquele chá, ao final do dia!
Um chocolate bem quente!
Ou um cafezinho forte, sem açúcar!
Manter o corpo aquecido consome muito mais energia. Isso porque o cérebro responde ao frio fazendo aumentar nosso apetite, especialmente por alimentos ricos em carboidratos e gorduras, que fornecem combustível rápido.
Letargia e alterações de humor
Quanto menos ficamos no sol, ou com o sol mais “fraco” no inverno , ou seja, com uma menor exposição à luz solar, pode reduzir a produção de serotonina (neurotransmissor do bem-estar) e aumenta a de melatonina (hormônio do sono). Isso pode causar fadiga, cansaço e, em alguns casos, o Transtorno Afetivo Sazonal (TAS).
Ressecamento das vias aéreas
Isso mesmo, no inverno isso acontece; o ar frio e seco irrita as mucosas do nariz e da garganta.
O corpo produz mais muco para tentar umidificar o ar inspirado, o que resulta em coriza constante e digestão nasal.
É normal sentir dor no corpo no frio?

(Vecteezy)
Sim, e como!
É completamente normal e clinicamente explicável sentir dores musculares e articulares mais intensas durante o inverno.
Esse fenômeno ocorre devido a uma combinação de fatores físicos e comportamentais, que sejam:
Contração muscular contínua: a fim de evitar a perda de calor, as pessoas tendem a encolher os ombros, curvar as costas e tensionar o pescoço. Esse tipo de postura defensiva e prolongada sobrecarrega os músculos, gerando rigidez, contraturas e dores musculares difusas.
Mudança na viscosidade do líquido sinovial: o líquido sinovial lubrifica as articulações. Contudo, no inverno, ele se torna ligeiramente mais espesso, o que aumenta o atrito dentro da articulação e causa rigidez e incômodo ao se movimentar.
Queda na pressão barométrica: geralmente, com as frentes frias, pode ocorrer a pressão atmosférica. Isso faz com que os tecidos corporais, tendões e músculos se expandam levemente, exercendo maior pressão sobre articulações já inflamadas ou sensíveis.

(Freepik)
Falta de atividade física: o friozinho faz muita gente desistir da atividade física.
Tal desconforto ajuda o sedentarismo. Com isso, há redução da circulação sanguínea e da flexibilidade, tornando o corpo ainda mais propenso a dar “umas travadas” e surgir dores.
Conclusão
O que fazer para encarar esta nova temporada?
Como enfrentar o inverno com disposição e saúde?
Para diminuir os efeitos que o frio provoca, o ideal é buscar ajuda de especialistas.
A recomendação é sempre manter o corpo bem agasalhado, especialmente mãos e pescoço, principalmente, para quem precisa sair cedo para trabalhar ou que trabalha à noite ou às madrugadas.
Outra coisa muito importante também é praticar alongamentos leves ao longo do dia, manter a hidratação mesmo sem sentir sede e aproveitar os momentos de sol para auxiliar na regulação hormonal do organismo.

(Vecteezy)
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